Eu tenho vergonha.
Por não te dizer coisas “sem vergonha”.
De não ter roubado um beijo seu.
Naquela tarde em que ficamos, de repente, em silêncio.
Eu não tinha nada a perder.
Mas tive medo de você.
De que nunca mais na vida,
Olhasse pra mim do mesmo jeito.
Eu tenho esse defeito.
Esquecer que a vida é o momento.
E desperdiço meus sonhos.
Pelo medo do “não”.
Se pudesse fazer diferente, seria um ladrão.
E destemido te diria qualquer bobagem.
Tentaria te seqüestrar num crime sem fiança.
Mesmo que a pena máxima fosse sua indiferença.
Preciso acreditar que exite recompensa:
A certeza exata do desejo sincero.
E que amanhã ainda estarei vivo.
E tudo pode mudar